Pesquisa FAPESP

28/10/2009

O pediatra José Simon Camelo Junior tem agora um argumento forte para tentar convencer as autoridades de saúde do país a incluir na triagem neonatal o popular teste do pezinho, o exame para identificar a galactosemia, doença genética marcada pela incapacidade de metabolizar a galactose, o açúcar típico do leite. A razão não é apenas de saúde. É também econômica. Examinar todos os anos as 600 mil crianças que nascem no estado de São Paulo – e tratar precocemente as doentes – sai 33% mais barato do que lidar com os problemas de saúde que as 17 crianças desse grupo, com galactosemia identificada tardiamente, desenvolverão ao longo da vida, como catarata, danos no fígado e retardo mental.
Foram necessários cinco anos de trabalho para o pediatra da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto (USP-RP) e sua equipe comprovarem que a inclusão do exame para a galactosemia no teste do pezinho é vantajosa também do ponto de vista econômico. Antes, porém, tiveram de conseguir uma informação muito mais básica sobre a enfermidade: o número de casos que surgem a cada ano no estado de São Paulo, dado anteriormente estimado apenas com base em levantamentos feitos no exterior.
Nessa primeira e mais trabalhosa etapa da pesquisa, os grupos de Ribeirão Preto e de outros três centros de triagem neonatal do estado analisaram amostras de sangue de 59.953 crianças nascidas em 2006, o equivalente a 10% dos nascimentos registrados por ano nos municípios paulistas. O levantamento inicial indicou que 158 recém-nascidos possivelmente apresentavam galactosemia. Um exame mais específico, porém, revelou que das 158 crianças apenas três tinham de fato a doença – e necessitavam de tratamento urgente. Essa proporção indica que cerca de um em cada 19 mil bebês paulistas nasce com uma das alterações genéticas associadas à galactosemia, o que corresponderia a quase 30 novos casos por ano no estado de São Paulo. É uma incidência relativamente baixa, mas superior à que se imaginava.
“A incidência dessa enfermidade no estado de São Paulo é muito mais elevada do que a dos Estados Unidos ou a de vários países da Europa e está mais próxima à da África do Sul”, conta Camelo Junior, membro da equipe dos pediatras Lea Zanini Maciel, Maria Inez Fernandes e Salim Jorge, da USP-RP. Nos Estados Unidos um em 30 mil ou um em 40 mil bebês nasce com galactosemia, enquanto na Inglaterra essa taxa é de um em 60 mil e na África do Sul de um em 14 mil.

Fonte: Revista Pesquisa FAPESP
Fornecido por: Rodrigo Kury - Assessor Científico


 
 

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